
Os pássaros cantam, as folhas balançam ao sibilar do vento, a criança sorri, o cachorrinho corre, a moça se preocupa.
O tempo, fiel e velho companheiro, caminha e a noite finalmente chega. O tempo, às vezes tão cruel, às vezes tão amigo... Hoje ele deve passar rápido. A ansiedade é por demais atormentadora dos sonhos que teimam ainda em não se realizar, e por isso mesmo ainda percorrem o terreno do imaginário, do inconstante, do duvidoso.
As palavras percorrem o papel sem saber aonde chegar e porque de se meter na escrita, se ainda se sente tão pequena, tão rude, tão definitivamente precária em suas idéias.
Apesar do diploma incrustado numa pasta de couro preto, imponente pelas suas insígnias, ela se pergunta aonde demonstrará sua fidelidade à pátria, às suas leis, ao que é certo, honesto e direito. Definitivamente é isto o que ela quer. Não lhe impressionam as ostentações, tanto materiais, menos ainda as morais. Para ela, basta ser. E saber que é. Para ela basta a consciência tranquila e repousada em seu silêncio salutar. O que lhe importa é o dever cumprido, e bem feito. Não lhe satisfaz uma frase incoerente que tomou vida pela preguiça de se voltar ao texto, não pertence à sua alma reverter um direito límpido em todas as suas nuances, mediante uma defesa falsa e menoscabada, mas convincente em sua dura torpeza.
Para ela, pouco importam os lustres de cristal, a madeira maciça, o vestido de seda dourado. São apenas detalhes que adornam a parte fantasiosa da vida. Lá fora, há frio, fome, medo e dor... E isso importa. Seria possível apagar as cenas tristes da vida acaso fosse insensível. Mas não é. Às vezes até quisera ser. Mas lágrimas jorram em seus olhos iluminados, por nada poder fazer.
Seus sentidos buscam conforto na música que acalma e eleva seu ser. Bolero embala seu espírito, e lá pelos quatorze minutos, Ravel, lhe mostra que é preciso ser forte, assim como suas notas que insistem em gritar fundo na sua alma. Uma nova energia lhe invade, e ela sente que Deus sempre olha por ela, aonde quer que ela esteja.
Seja qual for o seu destino, ela sabe que virá, ainda que o caminho e o rumo mostrados se denotem duvidosos. Direita, esquerda, frente. Ela não sabe. Sugiro que feche seus olhos suavemente e permita que sua mente a guie. É para lá que ela deve ir, para onde seus ideais a levarem. Seja para a decisão, para a acusação ou para a defesa, ela ainda não sabe. E acho que não deve saber mesmo. Talvez até experimente cada um. Sugiro que siga sua intuição, é lá que ela deve estar. E no quadro que se forma em sua mente, ela se vê rodeada de pessoas, ela não sabe quem são. Mas sabe que pode lhes estender a mão. À sua direita há uma espada, à esquerda uma balança, e ela sabe muito bem o que fazer.
As palavras percorrem o papel sem saber aonde chegar e porque de se meter na escrita, se ainda se sente tão pequena, tão rude, tão definitivamente precária em suas idéias.
Apesar do diploma incrustado numa pasta de couro preto, imponente pelas suas insígnias, ela se pergunta aonde demonstrará sua fidelidade à pátria, às suas leis, ao que é certo, honesto e direito. Definitivamente é isto o que ela quer. Não lhe impressionam as ostentações, tanto materiais, menos ainda as morais. Para ela, basta ser. E saber que é. Para ela basta a consciência tranquila e repousada em seu silêncio salutar. O que lhe importa é o dever cumprido, e bem feito. Não lhe satisfaz uma frase incoerente que tomou vida pela preguiça de se voltar ao texto, não pertence à sua alma reverter um direito límpido em todas as suas nuances, mediante uma defesa falsa e menoscabada, mas convincente em sua dura torpeza.
Para ela, pouco importam os lustres de cristal, a madeira maciça, o vestido de seda dourado. São apenas detalhes que adornam a parte fantasiosa da vida. Lá fora, há frio, fome, medo e dor... E isso importa. Seria possível apagar as cenas tristes da vida acaso fosse insensível. Mas não é. Às vezes até quisera ser. Mas lágrimas jorram em seus olhos iluminados, por nada poder fazer.
Seus sentidos buscam conforto na música que acalma e eleva seu ser. Bolero embala seu espírito, e lá pelos quatorze minutos, Ravel, lhe mostra que é preciso ser forte, assim como suas notas que insistem em gritar fundo na sua alma. Uma nova energia lhe invade, e ela sente que Deus sempre olha por ela, aonde quer que ela esteja.
Seja qual for o seu destino, ela sabe que virá, ainda que o caminho e o rumo mostrados se denotem duvidosos. Direita, esquerda, frente. Ela não sabe. Sugiro que feche seus olhos suavemente e permita que sua mente a guie. É para lá que ela deve ir, para onde seus ideais a levarem. Seja para a decisão, para a acusação ou para a defesa, ela ainda não sabe. E acho que não deve saber mesmo. Talvez até experimente cada um. Sugiro que siga sua intuição, é lá que ela deve estar. E no quadro que se forma em sua mente, ela se vê rodeada de pessoas, ela não sabe quem são. Mas sabe que pode lhes estender a mão. À sua direita há uma espada, à esquerda uma balança, e ela sabe muito bem o que fazer.

Imagem de Themis (Deusa da Justiça), obra do artista Joaquim Teixeira dos Santos.
Um comentário:
Parabéns pelas brilhantes palavras. Ilustra bastante a árdua missão do Poder Judiciário, ao mesmo tempo que coloca para o leitor os dilemas que sempre deve enfrentar no dia-a-dia, ainda que sejam situações corriqueiras.
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