segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Meras palavras


Subtraíram -me o sorriso iluminado, que de tão generoso, fazia sorrir os olhos.
Levaram minha esperança, que se esvaiu no rio caudaloso.
Tiraram meu conforto, meu coração afagado, minha vida calma...
Tiraram, tiraram...
Deixaram minhas mãos, meus braços fortes, minha consciência.
Fui lá nas profundezas daquele rio, divaguei mundo afora, corri desertos, encontrei paciência, não há nada que se perde, que a vida não retorna...
A vida, a sua suprema lei... “O que deres ao mundo recebarás dobrado”.
Novamente sorrindo, tranquila, em paz, dei ouvidos, mãos e palavras.
Ao dar tudo o que possuía, mais ainda tinha de volta.
Com o passar do tempo, o que mais impressionava não eram os números que se acresciam à idade, nem as rugas que se expressavam.
Era a certeza de que os generosos (de espírito) doam, os fracos (de espírito) tiram e os pobres (de espírito) se perdem...

Um comentário:

Frederico disse...

As "meras palavras" inspiram o homem a olhar para si. Alimentam a alma. Fazem-no contemplar os diferentes momentos da vida e os valores intangíveis que enriquecem o espírito. Sem dúvida, promove-se o diálogo com o passado, um convite à reflexão, projetando o leitor à construção de um futuro melhor.